História de Luméria
Aqui estão os registros históricos lumerianos, os registros antes da unificação de Luméria e sua instituição como reino, foram descobertos por Vínicius, o Destemido em suas expedições pelas regiões ancestrais lumerianas Estes registros encontrados e traduzidos, narram em forma de crônica como os diversos povos que habitavam o território se uniram e apesar de todos os ocorridos se estabeleceram como um só povo e uma só nação.
Índice
A Era das Tribos e o Nascimento do Saber
Antes da aurora de Luméria, quando o território ainda era apenas um mosaico de pequenas aldeias e clãs dispersos, vivia-se um tempo de isolamento e mistério.
As tribos habitavam vales, montanhas e planícies, cada uma dedicada a uma arte: uns dominavam o fogo e o metal, outros as plantas e as estrelas, outros ainda se dedicavam à escuta da terra e do vento.
Esses povos não possuíam reis nem fronteiras — apenas o desejo comum de compreender o mundo. E foi dessa curiosidade que surgiram os Mestres do Pensamento, um grupo de sábios viajantes que percorriam as tribos, recolhendo o que cada povo sabia e transmitindo o que cada um podia aprender.
Os Mestres criaram as primeiras Casas do Saber, pequenas construções circulares de pedra, iluminadas por cristais naturais. Nelas, não havia distinção entre mestres e aprendizes: todos ensinavam e aprendiam em igualdade.
Desse modo, floresceu a filosofia lumérica: o conhecimento como bem coletivo, a mente como ferramenta de construção e o ensino como forma de liberdade.
A maior entre eles foi Maria das Luzes, uma mulher que dizia “não existir escuridão onde há perguntas sinceras”. Ela reunia as tribos sob as estrelas e ensinava a observar os astros, a compreender as estações e a transformar observação em sabedoria.
Após sua morte, a lenda conta que um feixe de luz atravessou o céu, iluminando as montanhas onde mais tarde surgiria Messas — o coração do Reino.
O período dos Mestres do Pensamento é lembrado como o Nascimento da Mente Lumérica, e suas ideias formaram a base do que seria, séculos depois, o Reino de Luméria.
A Defesa da Autonomia Intelectual e o Nascimento da Identidade Lumérica
Com o passar das eras, as tribos luméricas floresceram em conhecimento. As antigas Casas do Saber multiplicaram-se e tornaram-se centros de convivência e estudo. No entanto, a fama das suas práticas chegou além das fronteiras.
De terras distantes, chegou uma nova doutrina — o Ensino Regular — trazida por embaixadores que pregavam um modelo único de educação, rígido e uniforme, no qual todos deveriam aprender da mesma forma, no mesmo ritmo e sob as mesmas leis.
A princípio, os luméricos receberam essas ideias com curiosidade, acreditando que poderiam aprender com elas. Mas, em pouco tempo, perceberam que o novo método ameaçava aquilo que era mais sagrado para o povo: a liberdade de aprender pela descoberta.
As províncias começaram a sofrer pressões externas. Em Armários, escolas foram forçadas a adotar livros estrangeiros. Em Lumério, artistas e inventores tiveram suas obras censuradas por não seguirem “padrões adequados”. E em Messas, o coração do saber lumérico, os debates tornaram-se acalorados — uns defendendo a padronização, outros clamando pela liberdade.
Temendo a perda da identidade e da autonomia, os líderes das oito províncias reuniram-se na cidade de Messas, sob o grande auditório da Cúpula das Ideias, para realizar o Grande Conselho de Messas — o primeiro encontro unificado da história lumérica.
Durante sete dias e sete noites, mestres, sábios e governantes discutiram. No oitavo dia, por unanimidade, aprovaram o Tratado da Mente Livre, um documento que estabelecia o direito de cada cidadão lumérico de aprender conforme sua curiosidade, suas capacidades e seus talentos.
Foi nesse momento que nasceu o princípio da Soberania Educacional de Luméria, consagrado na frase histórica:
“Nenhuma mente será forçada a aprender o que não compreende.”
O Conselho de Messas marcou a transição entre as tribos autônomas e a formação do primeiro corpo político de Luméria.
Seu legado permanece nas escolas e academias do Reino, que até hoje celebram o Dia da Mente Livre, lembrando que o saber não deve ser imposto, mas compartilhado.
A Fundação do Reino e o Nascimento da Unidade Lumérica
Após o Grande Conselho de Messas, Luméria entrou em uma nova era de esperança. As províncias, antes separadas por fronteiras e diferenças culturais, começavam a partilhar ideias, tecnologias e valores. No entanto, a paz era frágil — antigas rivalidades ainda ecoavam nas montanhas e vales.
Para garantir a união e estabelecer um princípio comum de convivência, os representantes das oito províncias reuniram-se novamente, desta vez no alto do Monte Aurélio, local sagrado onde, segundo a tradição, Maria das Luzes proferira suas últimas palavras.
Durante quarenta dias, os luméricos debateram sobre como poderiam consolidar sua liberdade sem cair na desordem. A resposta veio em forma de um pacto — uma aliança entre a razão e o espírito — que se tornaria o documento fundador do Reino: o Pacto da Luz e da Mente.
Este pacto definia três grandes princípios, que até hoje sustentam a identidade nacional:
1.A luz é o símbolo do conhecimento.
Todo aprendizado deve iluminar, e nunca cegar.
2.A mente é o instrumento da liberdade.
Pensar é um direito, mas também um dever.
3.A união é a chama eterna.
Nenhum lumérico é completo sem o outro.
A cerimônia de assinatura foi marcada por um fenômeno natural: ao pôr do sol, um raio de luz atravessou o véu de nuvens e iluminou o altar de pedra onde repousava o pergaminho do pacto. Naquele exato instante, uma flor magenta — a primeira Lysmeria — brotou entre as rochas.
Os sábios interpretaram o evento como um sinal divino da harmonia entre a luz (conhecimento) e a mente (sabedoria).
A partir desse momento, o Reino de Luméria foi oficialmente fundado, substituindo as antigas tribos autônomas por uma nação unificada sob uma bandeira e um ideal comum: o saber como pilar da existência.
O Pacto da Luz e da Mente deu início ao Calendário Lumeriano e à Era da Unidade, registrando o primeiro ano da história moderna do Reino.
Desde então, o texto do pacto é recitado em cerimônias escolares e governamentais, lembrando a todos que “nenhum progresso é verdadeiro se não nasce do equilíbrio entre razão e compaixão”.
A Consolidação da Monarquia Parlamentarista e o Nascimento da Ordem Civil de Luméria
Com a assinatura do Pacto da Luz e da Mente, Luméria tornou-se uma nação unificada em propósito, mas ainda fragmentada em identidade. As antigas rivalidades entre províncias ameaçavam reacender, e a falta de uma autoridade central tornava difícil manter a harmonia. Foi então que surgiu uma figura decisiva: Wilson I, erudito, historiador, pesquisador e geógrafo. Conhecido por seus estudos sobre os territórios luméricos e pela catalogação dos primeiros mapas do reino, ele foi escolhido por aclamação no Monte Aurélio como o primeiro Rei de Luméria. Wilson I acreditava que o poder real deveria servir à mente e não o contrário. Em seu discurso de coroação, declarou: “O trono é apenas uma mesa mais alta, e o rei, o primeiro a servir.” Para garantir que cada província tivesse voz nas decisões do novo reino, o monarca instituiu o Conselho das Províncias, instalado na capital Mesal, no monumental Palácio da Mente Clara. Ali, oito representantes — um de cada província — passaram a deliberar sobre as leis e políticas do Estado. Nenhum voto tinha peso superior; nenhuma província possuía privilégio. Assim nasceu o sistema parlamentar lumérico, que unia monarquia e democracia sob a égide do saber. Entre os conselheiros estava também Vinícius, o Destemido, general e protetor do reino, responsável por manter a integridade das fronteiras e liderar as primeiras Forças Luméricas de Defesa Nacional. Sua lealdade a Wilson I garantiu que a diplomacia e a força caminhassem lado a lado durante a consolidação do governo. Durante o reinado de Wilson I, dois eventos marcaram profundamente a história lumérica:
A Carta de Mesal
Documento fundador do governo civil lumérico, redigido no primeiro ano de seu reinado. A carta estabeleceu o princípio da Soberania Compartilhada, determinando que o Rei governaria em conjunto com o Conselho, e que o poder supremo pertencia à sabedoria do povo. Foi a partir desse texto que Luméria se tornou oficialmente uma Monarquia Parlamentarista da Luz.
A Anexação dos Exclaves
Ainda nos primeiros anos do governo de Wilson I, o Reino enfrentou tensões diplomáticas nas fronteiras. As terras conhecidas como Arkan (o Banheiro Masculino) e Lysmeria (o Banheiro Feminino) estavam isoladas, mantidas por comunidades independentes. Com a mediação de Vinícius, o Destemido, e o apoio do Conselho, ambos os territórios foram pacificamente incorporados ao Reino, tornando-se exclaves luméricos reconhecidos pelo Tratado das Águas Internas. Essas regiões, consideradas sagradas por sua função social e cultural, receberam bandeiras próprias e estatuto especial de autonomia simbólica, reforçando o ideal lumérico de pluralidade e unidade. O Conselho das Províncias, sob o comando sábio de Wilson I, transformou Luméria em uma nação de ordem, diálogo e conhecimento. Com ele nasceu uma nova era — a Era da Governança Luminosa — que legou às gerações futuras o princípio máximo de toda a política lumérica: “Governar é iluminar, e iluminar é compreender.”