Mudanças entre as edições de "História de Luméria"
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Documento fundador do governo civil lumérico, redigido no primeiro ano de seu reinado. A carta estabeleceu o princípio da ''Soberania Compartilhada'', determinando que o Rei governaria em conjunto com o Conselho, e que o poder supremo pertencia à sabedoria do povo. | Documento fundador do governo civil lumérico, redigido no primeiro ano de seu reinado. A carta estabeleceu o princípio da ''Soberania Compartilhada'', determinando que o Rei governaria em conjunto com o Conselho, e que o poder supremo pertencia à sabedoria do povo. | ||
Foi a partir desse texto que Luméria se tornou oficialmente uma Monarquia Parlamentarista da Luz. | Foi a partir desse texto que Luméria se tornou oficialmente uma Monarquia Parlamentarista da Luz. | ||
| + | ====Documento completo==== | ||
| + | '''Preâmbulo'''<br><br> | ||
| + | Nós, representantes das províncias unidas de Luméria, reunidos na sagrada cidade de Mesal, sob o olhar do Sol e da Mente, proclamamos esta Carta de Luz e Razão para guiar as futuras gerações do Reino. | ||
| + | Que ela seja o farol dos governantes, o juramento dos mestres e o alicerce da harmonia entre os povos luméricos. | ||
| + | Sob uma só bandeira e uma só chama, declaramos os princípios eternos do Reino de Luméria. | ||
| + | '''DOS PILARES DE MESAL''' | ||
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| + | ''Artigo I – Da Luz e da Razão'' | ||
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| + | Toda decisão, individual ou coletiva, deve nascer do conhecimento, da reflexão e do diálogo. | ||
| + | A ignorância é a única escuridão que ameaça a soberania da mente. | ||
| + | Ensinar é iluminar; aprender é libertar. | ||
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| + | ''Artigo II – Da União das Províncias'' | ||
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| + | As sete províncias são irmãs sob o mesmo céu e filhas do mesmo sol. | ||
| + | Nenhuma província deverá se erguer sobre as outras, e nenhuma voz será silenciada. | ||
| + | Que a harmonia seja a fortaleza de nosso Reino. | ||
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| + | ''Artigo III – Da Educação como Nobreza'' | ||
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| + | O saber é o título de maior honra concedido a um cidadão lumérico. | ||
| + | O verdadeiro trono é o do conhecimento, e todo mestre é um guardião do futuro. | ||
| + | Aquele que ensina, reina; aquele que aprende, perpetua o Reino. | ||
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| + | ''Artigo IV – Da Natureza e da Harmonia'' | ||
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| + | As águas, os ventos e as terras de Luméria são dons sagrados. | ||
| + | Nenhum homem poderá explorar sem pensar, nem criar sem respeitar. | ||
| + | A ciência deve servir à vida, e não o contrário. | ||
| + | Toda árvore e todo rio são súditos do mesmo sol. | ||
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| + | ''Artigo V – Da Honra e do Serviço'' | ||
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| + | Servir à coletividade é o mais elevado ato de nobreza. | ||
| + | O poder não é privilégio, mas dever; não é glória, mas responsabilidade. | ||
| + | A justiça deve ser firme, mas nunca cruel. | ||
| + | A força deve ser usada apenas para proteger, jamais para dominar. | ||
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| + | '''DO PACTO MORAL''' | ||
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| + | Declaramos que a verdadeira grandeza de Luméria não reside em suas fronteiras, mas em sua sabedoria. | ||
| + | Que o Reino prospere enquanto houver mestres que ensinem, alunos que questionem e líderes que escutem. | ||
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| + | “Que cada mente seja um farol, | ||
| + | e cada palavra, um rio que conduz à sabedoria. | ||
| + | Que o conhecimento una o que a distância separa, | ||
| + | e que, sob o sol de Luméria, nenhum espírito caminhe em sombras.”<br> | ||
| + | — Da Primeira Redação da Carta de Mesal, 12º Ano da Unificação. | ||
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| + | '''DA RATIFICAÇÃO''' | ||
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| + | Redigida, selada e proclamada em Mesal, capital do Reino de Luméria, | ||
| + | no 12º Ano da Unificação, sob o reinado de Wilson I, o Historiador, | ||
| + | com a presença e conselho de Vinícius, o Destemido, e dos representantes das sete províncias luméricas. | ||
===A Anexação dos Exclaves=== | ===A Anexação dos Exclaves=== | ||
Ainda nos primeiros anos do governo de Wilson I, o Reino enfrentou tensões diplomáticas nas fronteiras. As terras conhecidas como '''Arkan''' (o Banheiro Masculino) e '''Lysmeria''' (o Banheiro Feminino) estavam isoladas, mantidas por comunidades independentes. | Ainda nos primeiros anos do governo de Wilson I, o Reino enfrentou tensões diplomáticas nas fronteiras. As terras conhecidas como '''Arkan''' (o Banheiro Masculino) e '''Lysmeria''' (o Banheiro Feminino) estavam isoladas, mantidas por comunidades independentes. | ||
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“''Governar é iluminar, e iluminar é compreender''.” | “''Governar é iluminar, e iluminar é compreender''.” | ||
====Tratado das Águas Internas==== | ====Tratado das Águas Internas==== | ||
| − | Antes do conflito que geraria da Guerra das Lousas, Luméria estava alcançando a unificação sob o reinado de Wilson I, o Historiador, e o conselho de sábios liderado por Vinícius, o Destemido. Contudo, a estabilidade recém-conquistada foi ameaçada por um novo desafio: a disputa pelas fontes e rios subterrâneos que cortavam várias províncias — especialmente Messas, Borsas e Lumério.<br> | + | Antes do conflito que geraria da '''Guerra das Lousas''', Luméria estava alcançando a unificação sob o reinado de ''Wilson I, o Historiador'', e o conselho de sábios liderado por ''Vinícius, o Destemido.'' Contudo, a estabilidade recém-conquistada foi ameaçada por um novo desafio: a disputa pelas fontes e rios subterrâneos que cortavam várias províncias — especialmente Messas, Borsas e Lumério.<br> |
Esses cursos d’água eram essenciais não apenas para a agricultura e o abastecimento, mas também para o funcionamento dos centros de energia natural, que dependiam do fluxo constante das correntes subterrâneas para manter o equilíbrio climático e o fornecimento de energia às cidades luméricas.<br> | Esses cursos d’água eram essenciais não apenas para a agricultura e o abastecimento, mas também para o funcionamento dos centros de energia natural, que dependiam do fluxo constante das correntes subterrâneas para manter o equilíbrio climático e o fornecimento de energia às cidades luméricas.<br> | ||
=====A Crise das Correntes===== | =====A Crise das Correntes===== | ||
Durante os primeiros anos do reinado, cada província tentou controlar suas próprias águas internas, desviando cursos e represando rios locais. Isso gerou um desequilíbrio ambiental sem precedentes:<br> | Durante os primeiros anos do reinado, cada província tentou controlar suas próprias águas internas, desviando cursos e represando rios locais. Isso gerou um desequilíbrio ambiental sem precedentes:<br> | ||
| − | Borsas enfrentou estiagens severas, Televi viu suas nascentes desaparecerem e Messas, centro político do reino, sofreu com enchentes e inundações de difícil controle.<br> | + | '''Borsas''' enfrentou estiagens severas, '''Televi''' viu suas nascentes desaparecerem e '''Messas''', centro político do reino, sofreu com enchentes e inundações de difícil controle.<br> |
| − | Com a tensão aumentando e os governadores provinciais em desacordo, Wilson I convocou o Conselho das Províncias para uma reunião emergencial na capital, Mesal, a fim de evitar que a disputa se transformasse em uma nova guerra civil.<br> | + | Com a tensão aumentando e os governadores provinciais em desacordo, '''Wilson I''' convocou o Conselho das Províncias para uma reunião emergencial na capital, Mesal, a fim de evitar que a disputa se transformasse em uma nova guerra civil.<br> |
=====O Acordo===== | =====O Acordo===== | ||
| − | Após semanas de negociações mediadas por Vinícius, o Destemido, foi redigido o Tratado das Águas Internas de Luméria, documento que estabeleceu:<br> | + | Após semanas de negociações mediadas por '''Vinícius, o Destemido''', foi redigido o '''Tratado das Águas Internas de Luméria''', documento que estabeleceu:<br> |
O reconhecimento das águas subterrâneas e superficiais como patrimônio comum do Reino de Luméria.<br> | O reconhecimento das águas subterrâneas e superficiais como patrimônio comum do Reino de Luméria.<br> | ||
| − | A criação da Guarda Hídrica Nacional, braço civil da Força Nacional responsável pela vigilância e preservação dos recursos hídricos.<br> | + | A criação da '''Guarda Hídrica Nacional''', braço civil da Força Nacional responsável pela vigilância e preservação dos recursos hídricos.<br> |
O princípio da partilha equitativa, garantindo que cada província recebesse água conforme suas necessidades populacionais e ecológicas.<br> | O princípio da partilha equitativa, garantindo que cada província recebesse água conforme suas necessidades populacionais e ecológicas.<br> | ||
A proibição de represamento unilateral, evitando qualquer tentativa de monopólio hídrico.<br> | A proibição de represamento unilateral, evitando qualquer tentativa de monopólio hídrico.<br> | ||
| − | A instituição da Semana das Águas, celebração anual dedicada à educação ambiental e à renovação simbólica do pacto entre as províncias.<br> | + | A instituição da ''Semana das Águas'', celebração anual dedicada à educação ambiental e à renovação simbólica do pacto entre as províncias.<br> |
=====Consequências e Legado===== | =====Consequências e Legado===== | ||
| − | O Tratado das Águas Internas transformou-se em um dos maiores símbolos de unidade do reino.<br> | + | O '''Tratado das Águas Internas''' transformou-se em um dos maiores símbolos de unidade do reino.<br> |
| − | Ele deu origem ao lema “Das fontes nasce o povo, e do povo, o rio da nação”, inscrito nas margens dos edifícios administrativos de Messas.<br> | + | Ele deu origem ao lema ''“Das fontes nasce o povo, e do povo, o rio da nação”'', inscrito nas margens dos edifícios administrativos de Messas.<br> |
A assinatura do tratado também consolidou a imagem do rei Wilson I como pacificador e ecologista, e fortaleceu o papel de Luméria como exemplo diplomático entre as micronações escolares, sendo posteriormente reconhecido por outras entidades fictícias vizinhas.<br> | A assinatura do tratado também consolidou a imagem do rei Wilson I como pacificador e ecologista, e fortaleceu o papel de Luméria como exemplo diplomático entre as micronações escolares, sendo posteriormente reconhecido por outras entidades fictícias vizinhas.<br> | ||
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| + | ==A Guerra das Lousas== | ||
| + | O reinado de '''Wilson I''', o Historiador, foi um período de grande prosperidade intelectual em Luméria. Sob sua liderança, as províncias floresceram em arte, ciência e filosofia. O conhecimento era o bem mais precioso da nação. No entanto, o mesmo ideal que unira o Reino seria também a causa de sua maior crise: a Guerra das Lousas.<br> | ||
| + | O conflito teve origem nas escolas e nas C''asas do Saber'', quando mestres começaram a divergir sobre o papel da educação no novo reino. | ||
| + | Um grupo de professores defendia que o ensino deveria seguir métodos fixos, provas padronizadas e currículos únicos — acreditavam que apenas a ordem garantiria o progresso.Outro grupo, formado por artistas, inventores e filósofos, defendia que o saber devia ser livre, criativo e experimental, pois toda mente possuía um ritmo e um brilho próprios.<br> | ||
| + | Com o tempo, a divergência se espalhou pelas províncias. Em ''Armários'', escolas foram fechadas; em ''Lumério'', as lousas foram pintadas com cores vivas em protesto; em ''Messas'', debates fervorosos tomaram as praças.<br> | ||
| + | O Reino mergulhou em discórdia: os conselheiros se dividiram, e as '''Lousas Negras''' tornaram-se símbolo da rigidez, enquanto as '''Lousas Coloridas''' representavam a liberdade de pensamento.<br> | ||
| + | Durante esse período, '''Vinícius, o Destemido''', conselheiro real e cronista, percorreu as províncias registrando cada evento, temendo que o Reino esquecesse as lições da união.<br> | ||
| + | Em seus diários — hoje preservados no Museu das Luzes —, escreveu:<br> | ||
| + | “''O conhecimento não é trincheira, mas ponte. A lousa deve unir, não dividir''.”<br> | ||
| + | Diante do caos crescente, '''Wilson I''' convocou o '''Grande Sínodo de Mesal''', reunindo mestres e conselheiros no Palácio da Mente Clara. Lá, após longas deliberações, o rei proferiu o decreto que encerraria o conflito:<br> | ||
| + | ''“Toda lousa será negra no início do ensino,mas colorida pelo toque da mente criadora.”''<br> | ||
| + | Com o Decreto das Lousas Coloridas, a paz retornou. O documento estabeleceu oficialmente o Sistema Educacional Lumeriano, que combinava estrutura e liberdade — o método que perdura até hoje.<br> | ||
| + | A '''Guerra das Lousas''' foi o primeiro conflito interno do Reino e o último a ser resolvido sem violência. Ela ensinou aos luméricos que a diversidade de ideias não é uma ameaça, mas a base da verdadeira sabedoria.<br> | ||
| + | Por ordem do Rei, '''Vinícius, o Destemido''', registrou toda a guerra em pergaminhos, ilustrando os eventos com mapas e símbolos das províncias envolvidas. | ||
| + | Esses registros tornaram-se o '''Códice das Lousas''', considerado uma das maiores relíquias da história lumérica.<br> | ||
Edição das 12h55min de 23 de outubro de 2025
Aqui estão os registros históricos lumerianos, os registros antes da unificação de Luméria e sua instituição como reino, foram descobertos por Vínicius, o Destemido em suas expedições pelas regiões ancestrais lumerianas Estes registros encontrados e traduzidos, narram em forma de crônica como os diversos povos que habitavam o território se uniram e apesar de todos os ocorridos se estabeleceram como um só povo e uma só nação.
Índice
A Era das Tribos e o Nascimento do Saber
Antes da aurora de Luméria, quando o território ainda era apenas um mosaico de pequenas aldeias e clãs dispersos, vivia-se um tempo de isolamento e mistério.
As tribos habitavam vales, montanhas e planícies, cada uma dedicada a uma arte: uns dominavam o fogo e o metal, outros as plantas e as estrelas, outros ainda se dedicavam à escuta da terra e do vento.
Esses povos não possuíam reis nem fronteiras — apenas o desejo comum de compreender o mundo. E foi dessa curiosidade que surgiram os Mestres do Pensamento, um grupo de sábios viajantes que percorriam as tribos, recolhendo o que cada povo sabia e transmitindo o que cada um podia aprender.
Os Mestres criaram as primeiras Casas do Saber, pequenas construções circulares de pedra, iluminadas por cristais naturais. Nelas, não havia distinção entre mestres e aprendizes: todos ensinavam e aprendiam em igualdade.
Desse modo, floresceu a filosofia lumérica: o conhecimento como bem coletivo, a mente como ferramenta de construção e o ensino como forma de liberdade.
A maior entre eles foi Maria das Luzes, uma mulher que dizia “não existir escuridão onde há perguntas sinceras”. Ela reunia as tribos sob as estrelas e ensinava a observar os astros, a compreender as estações e a transformar observação em sabedoria.
Após sua morte, a lenda conta que um feixe de luz atravessou o céu, iluminando as montanhas onde mais tarde surgiria Messas — o coração do Reino.
O período dos Mestres do Pensamento é lembrado como o Nascimento da Mente Lumérica, e suas ideias formaram a base do que seria, séculos depois, o Reino de Luméria.
A Defesa da Autonomia Intelectual e o Nascimento da Identidade Lumérica
Com o passar das eras, as tribos luméricas floresceram em conhecimento. As antigas Casas do Saber multiplicaram-se e tornaram-se centros de convivência e estudo. No entanto, a fama das suas práticas chegou além das fronteiras.
De terras distantes, chegou uma nova doutrina — o Ensino Regular — trazida por embaixadores que pregavam um modelo único de educação, rígido e uniforme, no qual todos deveriam aprender da mesma forma, no mesmo ritmo e sob as mesmas leis.
A princípio, os luméricos receberam essas ideias com curiosidade, acreditando que poderiam aprender com elas. Mas, em pouco tempo, perceberam que o novo método ameaçava aquilo que era mais sagrado para o povo: a liberdade de aprender pela descoberta.
As províncias começaram a sofrer pressões externas. Em Armários, escolas foram forçadas a adotar livros estrangeiros. Em Lumério, artistas e inventores tiveram suas obras censuradas por não seguirem “padrões adequados”. E em Messas, o coração do saber lumérico, os debates tornaram-se acalorados — uns defendendo a padronização, outros clamando pela liberdade.
Temendo a perda da identidade e da autonomia, os líderes das oito províncias reuniram-se na cidade de Messas, sob o grande auditório da Cúpula das Ideias, para realizar o Grande Conselho de Messas — o primeiro encontro unificado da história lumérica.
Durante sete dias e sete noites, mestres, sábios e governantes discutiram. No oitavo dia, por unanimidade, aprovaram o Tratado da Mente Livre, um documento que estabelecia o direito de cada cidadão lumérico de aprender conforme sua curiosidade, suas capacidades e seus talentos.
Foi nesse momento que nasceu o princípio da Soberania Educacional de Luméria, consagrado na frase histórica:
“Nenhuma mente será forçada a aprender o que não compreende.”
O Conselho de Messas marcou a transição entre as tribos autônomas e a formação do primeiro corpo político de Luméria.
Seu legado permanece nas escolas e academias do Reino, que até hoje celebram o Dia da Mente Livre, lembrando que o saber não deve ser imposto, mas compartilhado.
A Fundação do Reino e o Nascimento da Unidade Lumérica
Após o Grande Conselho de Messas, Luméria entrou em uma nova era de esperança. As províncias, antes separadas por fronteiras e diferenças culturais, começavam a partilhar ideias, tecnologias e valores. No entanto, a paz era frágil — antigas rivalidades ainda ecoavam nas montanhas e vales.
Para garantir a união e estabelecer um princípio comum de convivência, os representantes das oito províncias reuniram-se novamente, desta vez no alto do Monte Aurélio, local sagrado onde, segundo a tradição, Maria das Luzes proferira suas últimas palavras.
Durante quarenta dias, os luméricos debateram sobre como poderiam consolidar sua liberdade sem cair na desordem. A resposta veio em forma de um pacto — uma aliança entre a razão e o espírito — que se tornaria o documento fundador do Reino: o Pacto da Luz e da Mente.
Este pacto definia três grandes princípios, que até hoje sustentam a identidade nacional:
1.A luz é o símbolo do conhecimento.
Todo aprendizado deve iluminar, e nunca cegar.
2.A mente é o instrumento da liberdade.
Pensar é um direito, mas também um dever.
3.A união é a chama eterna.
Nenhum lumérico é completo sem o outro.
A cerimônia de assinatura foi marcada por um fenômeno natural: ao pôr do sol, um raio de luz atravessou o véu de nuvens e iluminou o altar de pedra onde repousava o pergaminho do pacto. Naquele exato instante, uma flor magenta — a primeira Lysmeria — brotou entre as rochas.
Os sábios interpretaram o evento como um sinal divino da harmonia entre a luz (conhecimento) e a mente (sabedoria).
A partir desse momento, o Reino de Luméria foi oficialmente fundado, substituindo as antigas tribos autônomas por uma nação unificada sob uma bandeira e um ideal comum: o saber como pilar da existência.
O Pacto da Luz e da Mente deu início ao Calendário Lumeriano e à Era da Unidade, registrando o primeiro ano da história moderna do Reino.
Desde então, o texto do pacto é recitado em cerimônias escolares e governamentais, lembrando a todos que “nenhum progresso é verdadeiro se não nasce do equilíbrio entre razão e compaixão”.
A Consolidação da Monarquia Parlamentarista e o Nascimento da Ordem Civil de Luméria
Com a assinatura do Pacto da Luz e da Mente, Luméria tornou-se uma nação unificada em propósito, mas ainda fragmentada em identidade. As antigas rivalidades entre províncias ameaçavam reacender, e a falta de uma autoridade central tornava difícil manter a harmonia. Foi então que surgiu uma figura decisiva: Wilson I, erudito, historiador, pesquisador e geógrafo. Conhecido por seus estudos sobre os territórios luméricos e pela catalogação dos primeiros mapas do reino, ele foi escolhido por aclamação no Monte Aurélio como o primeiro Rei de Luméria. Wilson I acreditava que o poder real deveria servir à mente e não o contrário. Em seu discurso de coroação, declarou: “O trono é apenas uma mesa mais alta, e o rei, o primeiro a servir.” Para garantir que cada província tivesse voz nas decisões do novo reino, o monarca instituiu o Conselho das Províncias, instalado na capital Mesal, no monumental Palácio da Mente Clara. Ali, oito representantes — um de cada província — passaram a deliberar sobre as leis e políticas do Estado. Nenhum voto tinha peso superior; nenhuma província possuía privilégio. Assim nasceu o sistema parlamentar lumérico, que unia monarquia e democracia sob a égide do saber. Entre os conselheiros estava também Vinícius, o Destemido, general e protetor do reino, responsável por manter a integridade das fronteiras e liderar as primeiras Forças Luméricas de Defesa Nacional. Sua lealdade a Wilson I garantiu que a diplomacia e a força caminhassem lado a lado durante a consolidação do governo. Durante o reinado de Wilson I, dois eventos marcaram profundamente a história lumérica:
A Carta de Mesal
Documento fundador do governo civil lumérico, redigido no primeiro ano de seu reinado. A carta estabeleceu o princípio da Soberania Compartilhada, determinando que o Rei governaria em conjunto com o Conselho, e que o poder supremo pertencia à sabedoria do povo. Foi a partir desse texto que Luméria se tornou oficialmente uma Monarquia Parlamentarista da Luz.
Documento completo
Preâmbulo
Nós, representantes das províncias unidas de Luméria, reunidos na sagrada cidade de Mesal, sob o olhar do Sol e da Mente, proclamamos esta Carta de Luz e Razão para guiar as futuras gerações do Reino.
Que ela seja o farol dos governantes, o juramento dos mestres e o alicerce da harmonia entre os povos luméricos.
Sob uma só bandeira e uma só chama, declaramos os princípios eternos do Reino de Luméria.
DOS PILARES DE MESAL
Artigo I – Da Luz e da Razão
Toda decisão, individual ou coletiva, deve nascer do conhecimento, da reflexão e do diálogo. A ignorância é a única escuridão que ameaça a soberania da mente. Ensinar é iluminar; aprender é libertar.
Artigo II – Da União das Províncias
As sete províncias são irmãs sob o mesmo céu e filhas do mesmo sol. Nenhuma província deverá se erguer sobre as outras, e nenhuma voz será silenciada. Que a harmonia seja a fortaleza de nosso Reino.
Artigo III – Da Educação como Nobreza
O saber é o título de maior honra concedido a um cidadão lumérico. O verdadeiro trono é o do conhecimento, e todo mestre é um guardião do futuro. Aquele que ensina, reina; aquele que aprende, perpetua o Reino.
Artigo IV – Da Natureza e da Harmonia
As águas, os ventos e as terras de Luméria são dons sagrados. Nenhum homem poderá explorar sem pensar, nem criar sem respeitar. A ciência deve servir à vida, e não o contrário. Toda árvore e todo rio são súditos do mesmo sol.
Artigo V – Da Honra e do Serviço
Servir à coletividade é o mais elevado ato de nobreza. O poder não é privilégio, mas dever; não é glória, mas responsabilidade. A justiça deve ser firme, mas nunca cruel. A força deve ser usada apenas para proteger, jamais para dominar.
DO PACTO MORAL
Declaramos que a verdadeira grandeza de Luméria não reside em suas fronteiras, mas em sua sabedoria. Que o Reino prospere enquanto houver mestres que ensinem, alunos que questionem e líderes que escutem.
“Que cada mente seja um farol,
e cada palavra, um rio que conduz à sabedoria.
Que o conhecimento una o que a distância separa,
e que, sob o sol de Luméria, nenhum espírito caminhe em sombras.”
— Da Primeira Redação da Carta de Mesal, 12º Ano da Unificação.
DA RATIFICAÇÃO
Redigida, selada e proclamada em Mesal, capital do Reino de Luméria, no 12º Ano da Unificação, sob o reinado de Wilson I, o Historiador, com a presença e conselho de Vinícius, o Destemido, e dos representantes das sete províncias luméricas.
A Anexação dos Exclaves
Ainda nos primeiros anos do governo de Wilson I, o Reino enfrentou tensões diplomáticas nas fronteiras. As terras conhecidas como Arkan (o Banheiro Masculino) e Lysmeria (o Banheiro Feminino) estavam isoladas, mantidas por comunidades independentes. Com a mediação de Vinícius, o Destemido, e o apoio do Conselho, ambos os territórios foram pacificamente incorporados ao Reino, tornando-se exclaves luméricos reconhecidos pelo Tratado das Águas Internas. Essas regiões, consideradas sagradas por sua função social e cultural, receberam bandeiras próprias e estatuto especial de autonomia simbólica, reforçando o ideal lumérico de pluralidade e unidade. O Conselho das Províncias, sob o comando sábio de Wilson I, transformou Luméria em uma nação de ordem, diálogo e conhecimento. Com ele nasceu uma nova era — a Era da Governança Luminosa — que legou às gerações futuras o princípio máximo de toda a política lumérica: “Governar é iluminar, e iluminar é compreender.”
Tratado das Águas Internas
Antes do conflito que geraria da Guerra das Lousas, Luméria estava alcançando a unificação sob o reinado de Wilson I, o Historiador, e o conselho de sábios liderado por Vinícius, o Destemido. Contudo, a estabilidade recém-conquistada foi ameaçada por um novo desafio: a disputa pelas fontes e rios subterrâneos que cortavam várias províncias — especialmente Messas, Borsas e Lumério.
Esses cursos d’água eram essenciais não apenas para a agricultura e o abastecimento, mas também para o funcionamento dos centros de energia natural, que dependiam do fluxo constante das correntes subterrâneas para manter o equilíbrio climático e o fornecimento de energia às cidades luméricas.
A Crise das Correntes
Durante os primeiros anos do reinado, cada província tentou controlar suas próprias águas internas, desviando cursos e represando rios locais. Isso gerou um desequilíbrio ambiental sem precedentes:
Borsas enfrentou estiagens severas, Televi viu suas nascentes desaparecerem e Messas, centro político do reino, sofreu com enchentes e inundações de difícil controle.
Com a tensão aumentando e os governadores provinciais em desacordo, Wilson I convocou o Conselho das Províncias para uma reunião emergencial na capital, Mesal, a fim de evitar que a disputa se transformasse em uma nova guerra civil.
O Acordo
Após semanas de negociações mediadas por Vinícius, o Destemido, foi redigido o Tratado das Águas Internas de Luméria, documento que estabeleceu:
O reconhecimento das águas subterrâneas e superficiais como patrimônio comum do Reino de Luméria.
A criação da Guarda Hídrica Nacional, braço civil da Força Nacional responsável pela vigilância e preservação dos recursos hídricos.
O princípio da partilha equitativa, garantindo que cada província recebesse água conforme suas necessidades populacionais e ecológicas.
A proibição de represamento unilateral, evitando qualquer tentativa de monopólio hídrico.
A instituição da Semana das Águas, celebração anual dedicada à educação ambiental e à renovação simbólica do pacto entre as províncias.
Consequências e Legado
O Tratado das Águas Internas transformou-se em um dos maiores símbolos de unidade do reino.
Ele deu origem ao lema “Das fontes nasce o povo, e do povo, o rio da nação”, inscrito nas margens dos edifícios administrativos de Messas.
A assinatura do tratado também consolidou a imagem do rei Wilson I como pacificador e ecologista, e fortaleceu o papel de Luméria como exemplo diplomático entre as micronações escolares, sendo posteriormente reconhecido por outras entidades fictícias vizinhas.
A Guerra das Lousas
O reinado de Wilson I, o Historiador, foi um período de grande prosperidade intelectual em Luméria. Sob sua liderança, as províncias floresceram em arte, ciência e filosofia. O conhecimento era o bem mais precioso da nação. No entanto, o mesmo ideal que unira o Reino seria também a causa de sua maior crise: a Guerra das Lousas.
O conflito teve origem nas escolas e nas Casas do Saber, quando mestres começaram a divergir sobre o papel da educação no novo reino.
Um grupo de professores defendia que o ensino deveria seguir métodos fixos, provas padronizadas e currículos únicos — acreditavam que apenas a ordem garantiria o progresso.Outro grupo, formado por artistas, inventores e filósofos, defendia que o saber devia ser livre, criativo e experimental, pois toda mente possuía um ritmo e um brilho próprios.
Com o tempo, a divergência se espalhou pelas províncias. Em Armários, escolas foram fechadas; em Lumério, as lousas foram pintadas com cores vivas em protesto; em Messas, debates fervorosos tomaram as praças.
O Reino mergulhou em discórdia: os conselheiros se dividiram, e as Lousas Negras tornaram-se símbolo da rigidez, enquanto as Lousas Coloridas representavam a liberdade de pensamento.
Durante esse período, Vinícius, o Destemido, conselheiro real e cronista, percorreu as províncias registrando cada evento, temendo que o Reino esquecesse as lições da união.
Em seus diários — hoje preservados no Museu das Luzes —, escreveu:
“O conhecimento não é trincheira, mas ponte. A lousa deve unir, não dividir.”
Diante do caos crescente, Wilson I convocou o Grande Sínodo de Mesal, reunindo mestres e conselheiros no Palácio da Mente Clara. Lá, após longas deliberações, o rei proferiu o decreto que encerraria o conflito:
“Toda lousa será negra no início do ensino,mas colorida pelo toque da mente criadora.”
Com o Decreto das Lousas Coloridas, a paz retornou. O documento estabeleceu oficialmente o Sistema Educacional Lumeriano, que combinava estrutura e liberdade — o método que perdura até hoje.
A Guerra das Lousas foi o primeiro conflito interno do Reino e o último a ser resolvido sem violência. Ela ensinou aos luméricos que a diversidade de ideias não é uma ameaça, mas a base da verdadeira sabedoria.
Por ordem do Rei, Vinícius, o Destemido, registrou toda a guerra em pergaminhos, ilustrando os eventos com mapas e símbolos das províncias envolvidas.
Esses registros tornaram-se o Códice das Lousas, considerado uma das maiores relíquias da história lumérica.